Galp: A Gigante Portuguesa Que Talvez Estejas a Ignorar

Galp: A Gigante Portuguesa Que Talvez Estejas a Ignorar
Photo by Maria Lupan / Unsplash

Confesso que tenho uma relação complicada com a Galp. É daquelas empresas que toda a gente em Portugal conhece — abastecemos lá o carro, vemos os postos em todo o lado — mas que poucos realmente acompanham enquanto investimento. E talvez seja altura de mudar isso.

A maior empresa portuguesa está a atravessar uma fase interessante. Os números do 4º trimestre vieram mistos — e é exactamente por isso que vale a pena olhar com atenção.

O que dizem os números?

A produção de petróleo subiu 2% no 4º trimestre, para uma média de 113 mil barris por dia. Não é espectacular, mas é crescimento. O que realmente surpreendeu foi o gás natural — disparou 54% face ao período homólogo. Numa altura em que a Europa continua obcecada com segurança energética, ter mais gás para vender não é mau de todo.

Mas nem tudo correu bem. A margem de refinação caiu 27% — de 9,5 dólares por barril para 6,9 dólares. A paragem técnica em Sines teve impacto. E o preço do crude caiu 15% no trimestre, o que não ajuda quando vendes petróleo.

Plataforma petrolífera no mar
A Galp continua a apostar forte na exploração de petróleo e gás | Unsplash

E no ano completo?

Aqui a história é diferente. A Galp cumpriu — e bem — as metas anuais. EBITDA de 3 mil milhões de euros. Cash flow operacional de 2,2 mil milhões. São números sólidos para uma empresa que vale cerca de 13,5 mil milhões em bolsa.

O P/E está nos 13x — bem abaixo da média das petrolíferas europeias. O ROE ronda os 21%, o que significa que a empresa sabe usar o capital dos accionistas. E a dívida está controlada.

O contexto português ajuda

Não podemos falar da Galp sem falar do PSI. O índice português está a viver um momento especial — já anda nos 9.000 pontos e há quem fale em chegar aos 10.000. São níveis que não víamos há anos.

O PSI subiu 1.000 pontos em menos de 100 sessões. É um rally impressionante. E a Galp, sendo o peso pesado do índice, beneficia — e contribui — para este movimento.

Há ainda o factor Fidelidade. O IPO da seguradora está no horizonte e pode trazer mais investidores para Lisboa. Mais liquidez, mais atenção internacional, mais capital. Isso beneficia todo o mercado — incluindo a Galp.

Ecrã de trading bolsa
O PSI está em máximos de vários anos | Unsplash

Os riscos que não podes ignorar

Vou ser honesto: investir em petrolíferas em 2026 não é para todos. A transição energética é real. A pressão ESG sobre empresas de combustíveis fósseis continua. E o preço do petróleo é sempre uma incógnita — basta olhar para as tensões com o Irão esta semana para perceber como tudo pode mudar rapidamente.

A Galp sabe disto e está a diversificar — tem apostas em renováveis e lítio. Mas o core do negócio continua a ser petróleo e gás. Se isso te incomoda, há outros investimentos.

Energia renovável turbinas eólicas
A Galp está a diversificar para renováveis, mas o petróleo continua a ser o core | Unsplash

Então, vale a pena?

Se procuras exposição ao mercado português com dividendos consistentes e uma avaliação razoável, a Galp merece estar na tua lista. P/E de 13x é barato para uma empresa deste calibre. O ROE de 21% mostra que sabem o que fazem. E o momentum do PSI pode arrastar a acção para cima.

Se és averso a fossil fuels ou preferes growth stocks, passa à frente. Mas se estás confortável com o sector e queres uma blue chip portuguesa, a Galp é provavelmente a escolha mais óbvia.

Os resultados completos de 2025 saem a 2 de março. Vou estar atento — e se houver surpresas, conto-vos.

E tu? Tens Galp em carteira? Achas que o PSI vai mesmo aos 10.000? Deixa a tua opinião nos comentários.

Disclaimer: Este artigo é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. Faz sempre a tua própria pesquisa antes de tomar decisões de investimento.